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*ღ*Confidências*ღ*October 03 Altas Ondas
Altas ondas que vêm por sobre o mar,
que o vento faz mover, ir e voltar, de meu amigo, o que podes contar? Atravessou? Não o vejo retornar! .............E ai Deus, este amor! .........Ora traz-me alegria, ora causa-me dor! Ai, tu que cá de lá chegas, ar doce, lá d’onde dorme meu amigo à noite, traz o cheiro doce do seu sopro hoje! Abre-me a boca: paixão tal nunca houve. .............E ai Deus, este amor! .........Ora traz-me alegria, ora causa-me dor! Dor de amar alguém de um país estranho, vê tornar-se choro o riso e seus ganhos. Do amor nunca esperei golpe tamanho, pois que seus desejos sempre acompanho. .............E ai Deus, este amor! .........Ora traz-me alegria, ora causa-me dor! Raimbaut de Vaqueiras(1165-1207)
Trovador, um difusor importante da poesia provençal,
escreveu grandes trabalhos poéticos,
documentos também importantes para a compreensão
da sua época, como é o caso de sua "Carta épica".
Espero que gostem desta minha escolha
beijos
ჱܓLucy Mܓჱ Tragam-lhe, Sóis incandescentes de Ternura,
Não lhe roubem as Auroras Boreais... A Maresia, qu'acalenta com sonhos Tropicais; Redobrem, sua Tez com a Frescura, Dos Abraços longos intemporais... Símbolo, do Amor que não acaba Mais! Apolinario o meu amigo de sempre.
September 24 TABULA SAMARADIGNA
Tábula Samaradigna
Os poetas do Umbral
que nos abraçam as asas da noite
São os fantasmas revelados·
À hora do desencontro.
Por entre as paredes roxas·
e os arbustos secos deixados mortos
no beiral dos nossos olhos
Por entre os beijos místicos
entre os deuses lunares·
e a união dos pulsos de sangue
Somem-se letras de antigos
testamentos.
Amores contados pelas bocas
De outros corpos.
Às flautas e às vozes
ondulantes
Seguem-se passos sibilinos
Esmeraldas caídas
Rasto ocasional de um amor
Que viverá na eterna lembrança do Homem...
Shhhhh
Que te suma a voz
Fala-me com os olhos
e com a pele que te cobre o rosto
Com as pequenas inflexões dos teus lábios meus...
porque a Lua nos escuta
Essa donzela crescente
Da religião esquecida dos Homens.
Não acordes a noite
Não te poupes À intempérie...
Deixa-a cair À terra
Para que da Terra Renasça
Toda uma força Viva e Plena
Porque É Nela que vive a Fonte.
Depois o Fantasma crucificado
À tua pedra Esfumar-se-Á
como o resto dos incensos
que apagas no meu corpo.
Completum est quod dixi de operatione Solis.
September 15 ღ*Amor de Perdiçãoღ*
Simão Botelho e Teresa de Albuquerque ... No início do século XIX, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, pertencendo a duas famílias rivais, amam-se apaixonadamente. Teresa está prometida a um primo seu, Baltazar Coutinho. A jovem decide entrar num convento. Simão mata Baltazar e é preso. O pai, magistrado, recusa-se ajudá-lo por não lhe perdoar amar a filha do seu pior inimigo. Das respectivas celas, Simão e Teresa correspondem-se por escrito, com a ajuda de Mariana... (uma jovem criada que ama secretamente Simão). Condenado à morte, Simão indultado e enviado para o exílio. No Porto, embarca para a Índia e despede-se de Teresa que, ao longe, lhe acena um último adeus, pelas grades da janela da sua cela, na torre do convento. Teresa cai morta nos braços da camareira. Simão morre na viagem, poucos dias depois. No funeral, a bordo, Mariana, que o seguia para o desterro, atira-se ao mar para se agarrar ao seu cadáver e com ele morrer. Amor de Perdiçao, escrito em 1862, por Camilo Castelo Branco. Tenho uma paixão muito grande por esta e outras grandes historias de amor, pergunto se seria possivel um amor destes no tempo em que vivemos... Um beijo sempre ღLucyღ August 01 ♥No teu deserto♥
« Ás vezes, lá onde moro, fico à noite a olhár as estrelas como as do deserto e oiço o tempo a passar, mas não me angustia mais; eu sei que é justo e que tudo o resto é falso.» de Miguel Sousa Tavares do livro No teu deserto Quase Romance Hoje comecei a lêr este livro é o mais recente deste Senhor, se fôr da mesma qualidade de todos os outros, a que o Miguel nos habituou vou com toda a certeza publicar aqui na minha página, algumas das suas palavras... «Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais. já não escreves, porque não te resta nada para dizer.»
Beijos ღ Lucy ღ
July 27 。.:* ♥.:。Eros e Psique。.:* ♥.:。
...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades :-**-:¦:-**-:¦:-**-:¦:-**-:¦:-**-:¦:
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem. A Princesa Adormecida, Se espera, dormindo espera, Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera. Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado, Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino — Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora, E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia. de Fernando Pessoa
Publicado pela primeira vez in Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de 1934.
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Acerca da epígrafe que encabeça este poema diz o próprio autor a uma interrogação levantada pelo crítico A. Casais Monteiro, em carta a este último:
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